Necessidade de orar


A Sua voz, há pouco, terminara de envolver os homens nas esperanças
e consolações do soberano código das Bem-aventuranças.
O odor de santidade e o vigor da sabedoria, decorrentes da Sua
magistral lição, ainda envolviam os ouvintes, quando Seus
discípulos Dele se acercaram e um deles, comovido, interessado em
compreendê-lO, interrogou:
/Senhor, por que orais tanto? Sempre quando terminadas as tarefas,
por que buscais o silêncio e penetrais na oração?/
Havia sadia curiosidade no questionamento do discípulo devotado.
Relanceando o olhar em torno, e aplaudido pela musicalidade da
natureza em festa, Ele respondeu:
/A alma tem necessidade da oração, mais do que o corpo tem
necessidade de pão. Orar é buscar Deus, pedindo Seu auxílio, para
absorver resistências nos Seus recursos divinos./
O diálogo salutar prosseguiu e, mais à frente, surgiu novo
questionamento por parte dos discípulos:
/Mesmo vós/ – perguntou novamente o amigo – /que sois o caminho
para o Pai e o Seu Messias para a humanidade, tendes necessidade de
orar?/
A resposta do Mestre foi doce e poética:
/A chama que ilumina gasta o combustível que a sustenta, e a chuva
que irriga o solo retorna à nuvem de onde provém./
* * *
Jesus, a chama maior que já esteve entre nós, compreendia com
perfeição a necessidade da conversa com o Criador, a necessidade
deste contato constante com as esferas superiores.
A prece é o alimento do Espírito, desse ser imortal criado por amor
e para amar.
A sintonia com as regiões mais elevadas nos confere novas energias,
novo combustível, envolvendo-nos em vibrações de ânimo, de
consolo, fazendo-nos mais fortes para enfrentar os nossos dias.
No ato de louvor devemos expressar carinho e reconhecimento, fluindo
de nosso ser, de modo a produzir uma sintonia, mediante a qual
transmitimos os sentimentos de exaltação do bem.
Quando pedimos, devemos colocar a Deus as reais necessidades de nossa
alma, de modo que as solicitações não constituam uma imposição
apaixonada, ou um capricho que não merece consideração.
E, finalmente, quando confiamos e agradecemos, é necessário o nosso
reconhecimento por tudo aquilo que recebemos, muitas vezes até sem
perceber.
Confiar na sabedoria Divina, em Seus desígnios, faz com que tenhamos
fé, esta certeza íntima de que tudo sempre acontecerá para o nosso
bem e que, no comando das Leis, da justiça do Universo, está o Pai
soberanamente justo e bom.
* * *
Quando feitas de coração, todas as nossas preces recebem resposta.
Raramente percebemos, mas a Providência Divina tem formas muito
diversas de entrar em contato conosco.
A resposta que buscamos pode estar na conversa com um amigo, nas
linhas de um livro que manuseamos por acaso, nas lições de uma
palestra, nos relatos trazidos por um filme, nos sonhos à primeira
vista incompreensíveis, nas coincidências da vida que nos fazem
parar por alguns instantes para pensar.
Deus, como Pai amoroso, jamais deixaria Seus filhos sem respostas.

 

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